Justiça mantém tornozeleira eletrônica de promotor e ex-assessor acusados de cobrar R$ 3 milhões para arquivar investigação
01/05/2026
(Foto: Reprodução) Promotor convida vítima para comemorar arquivamento de denúncia: 'vamo tomar uma'
Reprodução/TV Clube
O Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) renovou, na quinta-feira (30), o uso de tornozeleira eletrônica do promotor de Justiça Maurício Verdejo Gonçalves Júnior e do ex-assessor André Ricardo Bispo Lima, acusados de cobrar R$ 3 milhões para arquivar uma investigação, por mais 90 dias.
A decisão atendeu a pedido do Ministério Público para garantir a segurança do processo, que entra na fase de coleta de depoimentos e provas. Para Maurício Verdejo, a medida vale até 3 de agosto de 2026. Já para André Ricardo, o prazo vai até 26 de agosto de 2026.
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Os dois são réus em uma ação penal que apura crimes como concussão, prevaricação e tráfico de influência. Além do uso da tornozeleira, eles seguem proibidos de acessar prédios do Ministério Público e de manter contato entre si, com a vítima ou com servidores da instituição.
O promotor Maurício Verdejo continua afastado do cargo. O ex-assessor André Ricardo cumpre medidas extras, como recolhimento domiciliar à noite e nos fins de semana, além da proibição de deixar Teresina.
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Histórico de violações
Na decisão, o desembargador destacou que as medidas contra André Ricardo já haviam sido endurecidas após registros de que o ex-assessor deixou a tornozeleira descarregar.
Segundo o magistrado, a vigilância eletrônica é indispensável para “resguardar a integridade da instrução criminal”. O sistema permite fiscalizar se os réus cumprem as restrições de horários e deslocamento impostas pela Justiça.
Relembre o caso
A investigação começou após o empresário Junno Pinheiro denunciar que o promotor teria exigido R$ 3 milhões para arquivar uma investigação e interferir em outro processo criminal. O caso envolve contratos de aluguel de equipamentos hospitalares sem licitação.
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Vídeos da investigação mostram o promotor e o ex-assessor negociando valores. Em uma das gravações, Verdejo afirma:
“Vou pegar tudo e vou fazer a análise, falo que não tem nada e pronto. Quando passar dessa fase, ‘vamo’ tomar uma para comemorar”.
A Polícia Federal flagrou a entrega de R$ 500 mil. Durante buscas na casa de Verdejo, foram encontrados quase R$ 900 mil em dinheiro. O promotor também é acusado de ter bloqueado remotamente o celular apreendido para impedir o acesso aos dados.
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