Grupos suspeitos de fraudar licitações e desviar verbas do Fundeb e SUS são alvo de operação da PF e MPF no PI

  • 07/07/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia Federal (PF) Imagem Ilustrativa Grupos empresariais suspeitos de fraudar licitações e desviar recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e do Sistema Único de Saúde (SUS) foram alvo das operações Holding II e Conflictus II, deflagradas na manhã desta terça-feira (7), pela Polícia Federal e Ministério Público Federal (MPF), no Piauí. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Segundo o MPF, os investigados atuavam dentro da administração pública de municípios piauienses para obter contratos e desviar recursos federais. De acordo com as investigações, os grupos usavam empresas de fachada, fraudavam licitações e pagavam propina para garantir contratos públicos. O esquema teria atuado em pelo menos 16 municípios do Piauí. A pedido do MPF, a Justiça Federal em Floriano autorizou mandados de busca e apreensão contra os principais investigados. Entre os alvos estão engenheiros, advogados, operadores financeiros e agentes políticos. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pelo MPF nem pela PF. Agora no g1 A Justiça também determinou o afastamento de uma servidora da Secretaria Municipal de Administração e Obras de Francinópolis. Segundo a decisão, a permanência dela no cargo poderia favorecer a continuidade das irregularidades investigadas. O g1 tenta contato com o município. Os investigados poderão responder por crimes como peculato, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, associação criminosa e tráfico de influência. Como funcionavam os esquemas Segundo o MPF, a segunda fase da Operação Holding busca identificar gestores, técnicos e operadores que ainda não haviam sido alcançados pelas investigações. A ação também pretende mapear a rede de servidores públicos suspeita de participação no esquema. A operação também tenta interromper contratos considerados irregulares e superfaturados que ainda estavam em execução, além de desarticular o núcleo jurídico do grupo. De acordo com as investigações, esse núcleo seria responsável por intermediar o pagamento de propina a servidores do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) para garantir proteção ao esquema. Procurado pelo g1, o órgão afirmou que colaborou com as investigações por meio da produção de relatórios de inteligência e esclareceu que a suspeita de pagamento de propina a um servidor da Corte se baseia em um diálogo interceptado pela investigação. Segundo o TCE, não há indicação de que tenha ocorrido qualquer manipulação de processos e, caso irregularidades sejam comprovadas, os responsáveis serão alvo de medidas administrativas, disciplinares e legais (leia a íntegra do comunicado ao fim da reportagem). Já a Operação Conflictus tem como alvo um grupo suspeito de pagar propina a agentes públicos para obter vantagens indevidas. No caso da Operação Holding, as investigações apontam que o grupo usava empresas de fachada, conhecidas como "laranjas", para fraudar licitações. Segundo o MPF, o esquema incluía a apresentação de "propostas coelho", feitas em nome de empresas fictícias. O objetivo seria provocar a desclassificação de concorrentes e favorecer empresas ligadas ao grupo. Ainda segundo o MPF, o esquema contava com o apoio de um engenheiro civil e de um advogado responsável por intermediar o pagamento de propina a servidores do TCE-PI. Em troca, esses servidores influenciariam o andamento de processos e recursos analisados pelo tribunal. Na Operação Conflictus, a empresa investigada simulava processos licitatórios e, depois de vencer as disputas, repassava integralmente a execução das obras para outras construtoras. Segundo o MPF, o operador financeiro do grupo seria responsável pelo pagamento de propina a agentes públicos. Nota do TCE O Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), em razão de informações divulgadas sobre as operações Holding II e Conflictus II, vem prestar os seguintes esclarecimentos à sociedade: 1. O TCE-PI participou das investigações na condição de instituição colaboradora dos órgãos de persecução penal, tendo contribuído com a elaboração de relatórios de inteligência destinados a subsidiar a apuração dos fatos em investigação, a qual tem suas provas compartilhadas com esta Corte de Contas por decisão judicial para instrução de processos de controle externo; 2. Em relação às referências feitas na nota divulgada pelo Ministério Público Federal (MPF) acerca de suposto pagamento de vantagem indevida a servidor desta Corte de Contas, cumpre esclarecer que, conforme elementos de conhecimento do Tribunal, a informação decorre de diálogo interceptado no âmbito da investigação, no qual um dos investigados afirma ter realizado pagamento em espécie a um servidor vinculado ao setor de protocolo do TCE-PI com a finalidade de obter manipulação processual; 3. Entretanto, conforme registrado na própria conversa interceptada, o objetivo pretendido pelo investigado não teria sido alcançado, não havendo indicação de que tenha ocorrido qualquer alteração, supressão ou modificação indevida em processos sob a guarda desta Corte de Contas; 4. Não obstante, o TCE-PI reafirma seu compromisso com a integridade institucional, a ética e a transparência. Caso as investigações venham a comprovar o recebimento de vantagem indevida por qualquer servidor da instituição, serão adotadas, com o máximo rigor, todas as medidas administrativas, disciplinares e legais pertinentes, sem prejuízo da responsabilização civil e criminal dos envolvidos. O Tribunal de Contas do Estado do Piauí destaca, por fim, que produziu, apenas em 2026, 25 relatórios de inteligência para a Polícia Federal, a Polícia Civil, o Ministério Público do Estado e o Ministério Público de Contas, envolvendo cifras superiores a 250 milhões de reais, e continuará na sua missão constitucional como parceiro dos órgãos de investigação na produção de informações técnicas que auxiliam no combate a possíveis desvios de recursos públicos, permanecendo à disposição das autoridades competentes para colaborar com o completo esclarecimento dos fatos e para assegurar a proteção do interesse público. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

FONTE: https://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2026/07/07/operacao-fraude-licitacoes-desvio-verbas-fundeb-sus-pf-mpf.ghtml


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