Dor de cabeça recorrente não deve ser ignorada, alerta especialista da Unimed Teresina
29/05/2026
(Foto: Reprodução) A dor de cabeça é um sintoma tão comum na rotina de milhões de brasileiros que, muitas vezes, acaba sendo encarada como algo normal. No entanto, quando as crises se tornam frequentes, intensas ou passam a interferir nas atividades diárias, elas podem ser um sinal de alerta para condições que exigem avaliação médica. Neste contexto, o Dia Nacional de Combate à Cefaleia, celebrado em 19 de maio, surge como uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre um problema que impacta diretamente a qualidade de vida da população.
A cefaleia está entre os distúrbios neurológicos mais comuns do mundo e pode afetar pessoas de todas as idades. Entre os diversos tipos existentes, a enxaqueca se destaca como uma das condições mais incapacitantes, sendo uma das principais causas de procura por atendimento especializado. Além da dor, a doença pode estar associada a sintomas como sensibilidade à luz, aos sons, náuseas e limitações importantes na vida pessoal, profissional e social.
Segundo o médico neurologista Dr. Franciluz Morais Bispo (CRM: 4088), muitas pessoas ainda confundem dores de cabeça ocasionais com doenças que precisam de acompanhamento adequado.
“A enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça. Ela é uma doença neurológica cujo principal sintoma é a dor. Muitas vezes, o paciente convive durante anos com crises recorrentes sem buscar diagnóstico, acreditando que aquilo faz parte da rotina. Quanto mais cedo identificamos o problema, maiores são as possibilidades de controle e de melhora da qualidade de vida”, explica.
O médico neurologista Franciluz Bispo alerta para o acompanhamento adequado das dores de cabeça.
Comunicação Unimed Teresina
O especialista destaca ainda que a dor de cabeça é um sintoma inespecífico e pode ter diversas causas. Problemas visuais, sinusites, alterações musculares, hipertensão arterial e até hábitos cotidianos podem desencadear dores em diferentes regiões da cabeça. Por isso, a avaliação médica é fundamental para identificar corretamente a origem do problema e indicar o tratamento mais adequado.
O médico explica que, embora a cefaleia tensional, popularmente associada ao estresse, seja cada vez mais frequente, é a enxaqueca que mais leva pacientes aos consultórios de neurologia devido à intensidade e recorrência das crises. A condição também apresenta forte influência genética e hormonal, sendo significativamente mais comum entre as mulheres.
“A enxaqueca é cerca de quatro vezes mais frequente em mulheres. Existe uma relação importante com as variações hormonais, especialmente durante a adolescência, no período menstrual, na gestação e na menopausa. São momentos em que muitas pacientes percebem alterações no padrão das crises”, ressalta o neurologista.
Outro ponto de atenção é a automedicação. O uso frequente de analgésicos sem orientação médica pode gerar um efeito contrário ao esperado e contribuir para a cronificação da dor.
“Muitas pessoas acreditam que apenas medicamentos controlados podem causar dependência. Mas o uso excessivo de analgésicos comuns também pode criar um ciclo prejudicial. A medicação alivia naquele momento, mas favorece o retorno da dor de forma mais frequente e, muitas vezes, mais intensa. Por isso, quem sofre com dores de cabeça recorrentes precisa investigar a causa e não apenas tratar o sintoma”, alerta.
Alimentação e hábitos de vida influenciam diretamente nas crises
A relação entre estilo de vida e cefaleia é amplamente reconhecida pela medicina. Fatores como privação de sono, excesso de estresse, sedentarismo, alimentação inadequada e períodos prolongados de jejum podem contribuir para o surgimento ou agravamento das crises.
De acordo com Dr. Franciluz, não existe uma lista universal de alimentos proibidos para pessoas com enxaqueca. No entanto, alguns produtos podem funcionar como gatilhos em determinados pacientes, exigindo observação individualizada.
“Não recomendamos restrições generalizadas. O mais importante é que o paciente identifique padrões. Alguns alimentos e bebidas podem desencadear crises em pessoas predispostas, como melancia, bebidas alcoólicas, café em excesso e determinados alimentos industrializados. O acompanhamento médico ajuda a compreender esses gatilhos e a construir estratégias de prevenção”, afirma.
O especialista também destaca a importância de manter uma alimentação equilibrada, hidratação adequada e horários regulares para as refeições, evitando longos períodos sem se alimentar.
Prevenção e acompanhamento fazem a diferença
Nos últimos anos, os avanços científicos trouxeram novas possibilidades para o tratamento da enxaqueca, incluindo terapias específicas capazes de reduzir significativamente a frequência das crises. Ainda assim, a prevenção continua sendo uma das principais ferramentas para o controle da doença.
A prática regular de atividade física, por exemplo, possui forte respaldo científico e pode apresentar resultados comparáveis aos de alguns tratamentos preventivos. “A atividade física frequente é uma das medidas mais eficazes para quem sofre de enxaqueca. Associada ao sono adequado, à boa alimentação, à hidratação e ao controle do estresse, ela ajuda a reduzir significativamente a frequência das crises. Muitas pessoas conseguem melhorar bastante apenas com a adoção desses cuidados”, destaca o neurologista.
Além dos impactos imediatos na qualidade de vida, a falta de controle da enxaqueca também pode trazer consequências para a saúde a longo prazo. Estudos apontam que a doença está associada ao aumento do risco de algumas condições cardiovasculares e cerebrovasculares, reforçando a necessidade de acompanhamento médico contínuo.
“Por isso, é importante ouvir os sinais do corpo e buscar orientação especializada diante de dores de cabeça frequentes. Mais do que um incômodo passageiro, a cefaleia pode ser um indicativo de que algo precisa de atenção, cuidado e tratamento adequado”, finaliza o neurologista Franciluz Bispo.