Dia do Trabalhador: ações trabalhistas crescem 11% no PI; verbas rescisórias e horas extras lideram demandas
01/05/2026
(Foto: Reprodução) Carteira de trabalho digital
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O número de novos processos trabalhistas aumentou em 11,4% no 1º quadrimestre de 2026, no Piauí, em comparação com o mesmo período de 2025, segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (TRT-22).
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Entre os assuntos que mais cresceram entre os meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2026 no TRT, estão: processos por irregularidades em verbas rescisórias e horas extras.
O levantamento, feito a pedido do g1 para o Dia do Trabalhador, celebrado nesta sexta-feira (1º), mostrou que o total de processos passou de 8.793 registros em 2025 para 9.808 casos em 2026, no período.
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Apesar do crescimento, autoridades acreditam que muitos trabalhadores ainda encontram dificuldades em entender como procurar a Justiça do Trabalho e como ela funciona. Nesta reportagem, você vai entender o que são esses processos e como entrar com uma ação desse tipo.
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📅 O Dia do Trabalhador surgiu a partir de uma greve operária nos Estados Unidos da América (EUA), em 1886, durante a Revolução Industrial, para conquistar melhores condições de trabalho. No Brasil, o feriado foi incorporado ao calendário em 1924, por meio de um decreto do então presidente da República, Arthur Bernardes, após protestos populares e mobilizações trabalhistas.
O que é um processo trabalhista?
Um processo trabalhista uma ação judicial que ocorre quando há um conflito entre trabalhador e empregador relacionado à relação de trabalho ou emprego.
Geralmente é iniciado quando uma das partes (na maioria das vezes, o trabalhador) entende que seus direitos trabalhistas foram violados.
Quais os assuntos mais frequentes nos processos?
Segundo o TRT-22, entre os assuntos mais citados em processos entre os dois anos analisados, estão:
Verbas Rescisórias: O processo trabalhista por supostas irregularidades nas verbas rescisórias é movida pelo empregado quando a empresa não paga os valores devidos na saída, atrasa o pagamento ou não entrega guias de FGTS/seguro-desemprego. Segundo o levantamento, a multa de 40% do FGTS — indenização paga pelo empregador ao trabalhador demitido sem justa causa — também foi um assunto que apresentou crescimento em 2026.
Horas extras: O processo registrado por problemas no pagamento de horas extras, um dos mais comuns na Justiça do Trabalho, é uma ação judicial movida pelo funcionário para receber pelos períodos trabalhados além da jornada contratual. A legislação exige pagamento com adicional mínimo de 50% ou banco de horas.
Como entrar com um processo?
Para entrar com um processo trabalhista na Justiça do Trabalho, o trabalhador não precisa necessariamente de um advogado.
No entanto, o profissional pode ajudá-lo a reunir documentos e provas e registrar a ação antes que haja a audiência inicial.
O interessado também pode recorrer ao TRT-22 de forma presencial para tentar sanar dúvidas.
Qual é o perfil dos demandantes?
Segundo o TRT-22, 69.45% dos trabalhadores que ingressaram com ações judiciais no Piauí são homens e 30.37% mulheres. A média de idade entre os demandantes é de 40 anos.
Os processos duram quanto tempo?
No Piauí, os processos trabalhistas levaram, em média, 157 dias – pouco mais de cinco meses – para serem julgados na fase inicial, que vai desde o registro oficial da ação até a sentença do juiz.
Esse prazo é menor que a média nacional dos Tribunais Regionais do Trabalho, que ficou em 185 dias no mesmo período.
Isso representa uma diferença de 28 dias – quase um mês a menos de espera para o trabalhador ou empregador que busca uma decisão judicial.
"Cada processo tem uma vida própria, pois depende de vários fatores: complexidade das causas, a ocorrência de recursos ou não para o TRT ou para o TST. O tempo médio da autuação até o julgamento no último ano no TRT-22 foi de 157 dias, abaixo da média nacional de 185 dias", disse o gestor regional.
É possível resolver por acordo?
Os conflitos entre trabalhador e empregador também podem ser resolvidos por meio de um acordo entre as partes, sem que uma sentença do juiz seja necessária.
No primeiro trimestre de 2025, 34,12% dos processos se resolveram por conciliação. Em 2024, no mesmo período, foram 32,33% das ações.
Ainda segundo o juiz Roberto Wanderley Braga, o acordo pode ser feito em qualquer fase do processo.
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