Cidade do Piauí abriga 2ª maior cratera criada por meteoro da América do Sul

  • 24/05/2026
(Foto: Reprodução)
Imagem do satélite Sentinel-2 combinada com uma imagem do relevo da cratera de São Miguel do Tapuio do satélite TanDEM-X (à esquerda) e foto do Centro de São Miguel do Tapuio Reprodução Cientistas afirmam que o município de São Miguel do Tapuio, no Norte do Piauí, abriga a 2ª maior cratera de impacto da América do Sul e a 37ª maior do mundo. A formação surgiu após a queda de um grande asteroide que atingiu a Terra em alta velocidade há milhões de anos. A cratera tem cerca de 21 quilômetros de diâmetro e pode ter entre 150 milhões e 250 milhões de anos. O impacto teria sido provocado por um asteroide de aproximadamente 1,5 quilômetro de diâmetro, que atingiu o planeta a cerca de 60 mil quilômetros por hora. Ela fica localizada em uma área de mata do município, considerada extremamente isolada e de difícil acesso. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp 🔎O que são crateras de impacto? Crateras de impacto são buracos formados quando grandes meteoritos atingem a superfície de um planeta ou satélite. A força da colisão causa uma grande explosão, deixando marcas circulares no solo. A descoberta foi feita por pesquisadores liderados pelo professor Alvaro Crósta, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A estrutura é considerada a nona cratera de impacto confirmada no país. Agora no g1 A maior da América do Sul continua sendo o Domo de Araguainha, com cerca de 40 quilômetros de diâmetro. Ela fica situada na divida entre Mato Grosso e Goiás. Ao g1, o professor Alvaro Crósta explicou que quem visita o local não percebe que está dentro de uma cratera porque a estrutura foi desgastada pela erosão ao longo de milhões de anos. Segundo ele, o que existe hoje é uma espécie de “cicatriz” deixada pelo impacto do asteroide, já que o relevo foi sendo nivelado com o passar do tempo. “Estando no local, você não percebe que está dentro de uma cratera. Primeiro, porque ela é muito grande. E, segundo, porque também não existe aquele buraco que normalmente se espera de uma cratera de impacto. Isso acontece apenas com crateras muito jovens. O que a gente pode tentar explicar para a população é justamente isso: hoje, nós temos uma cicatriz de algo que se formou há milhões e milhões de anos", comentou Crósta. Como foi a descoberta Ele contou que suspeita de que São Miguel do Tapuio possuía essa cratera começou na década de 1970, durante o Projeto RadamBrasil (Radar da Amazônia), um levantamento do governo federal criado para mapear recursos naturais, geologia e relevo no território nacional. Na época, técnicos identificaram nas imagens de radar uma estrutura circular gigante no interior do Piauí. O formato chamou atenção, mas ninguém conseguiu explicar exatamente como ela havia surgido. Anos depois, o professor Joaquim Torquato, da Universidade Federal do Ceará, levantou a hipótese de que o local poderia ser uma cratera de impacto. Ainda assim, faltavam provas científicas. Foi somente na década de 1980 que o professor Alvaro Crósta passou a investigar a região de forma mais aprofundada. Naquele período, ele já observava crateras de impacto no Brasil e havia participado da comprovação da origem meteorítica do Domo de Araguainha. Confirmar cientificamente a existência da cratera levou décadas. Os pesquisadores precisavam encontrar nas rochas marcas microscópicas causadas pelo impacto do asteroide, algo extremamente difícil em uma área isolada e de acesso complicado. “Nas primeiras viagens nós não conseguimos chegar na região central da estrutura, justamente onde havia maior chance de encontrar as evidências”, relembrou Crósta. A região possui relevo acidentado, vegetação fechada e áreas de caatinga espinhosa. Em muitos pontos, não existem estradas. Somente em 2017, durante a terceira expedição, a equipe finalmente conseguiu avançar até uma área próxima ao centro da cratera. Professor Alvaro Crósta, que liderou o grupo de cientistas responsáveis pela descoberta da cratera Arquivo pessoal Crósta esteve no local acompanhado do pesquisador Marcos Vasconcelos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de um guia da região que ajudou a equipe a atravessar a mata fechada. “O guia foi fundamental porque conhecia trilhas abertas pelos animais e evitou que a gente se perdesse”, afirmou. Foi nessa viagem que os cientistas coletaram as rochas que comprovaram a existência da cratera. Os pesquisadores encontraram deformações microscópicas em minerais da região, algo que só acontece quando há pressões extremamente altas provocadas por impactos de meteoros ou asteroides. “As evidências, que são de fato microscópicas, não são simples de encontrar, mas só são formadas pela energia liberada pelo impacto, que é muito superior a qualquer outro tipo de processo geológico. Então, por ser única dos processos de impacto, ela é uma forma de comprovarmos, ao encontrar nos minerais, essas deformações microscópicas", contou o professor. Amostras de rocha de São Miguel do Tapuio que contém as evidências microscópicas da deformação por impacto meteorítico. Alavaro Crósta As amostras coletadas no Piauí foram analisadas em laboratórios brasileiros e também na Universidade de Viena, na Áustria, onde os cientistas confirmaram as marcas de choque causadas pelo impacto. O asteroide teria se pulverizado no momento da colisão por causa da velocidade. Segundo o professor, o impacto não teve dimensões suficientes para alterar o clima global, como aconteceu no meteoro que provocou a extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos. “As mudanças certamente foram muito grandes, mas provavelmente regionais”, afirmou. Além da estrutura de São Miguel do Tapuio, ele falou que o Piauí também possui outra cratera na localidade Santa Marta, na região de Corrente, no Sul do estado. A formação tem cerca de 10 quilômetros de diâmetro e pode ter entre 66 milhões e 100 milhões de anos. Segundo cientistas, outras estruturas ainda podem existir escondidas pelo território brasileiro, soterradas, submersas ou desgastadas pela erosão ao longo de milhões de anos. Agora que a cratera foi confirmada pela ciência, a expectativa é que São Miguel do Tapuio desperte interesse científico internacional. Segundo Crósta, o local também pode se transformar em um ponto de turismo científico no futuro, embora ainda falte infraestrutura. “Nós praticamente só começamos os estudos dessa cratera. Ainda há muita coisa para descobrir”, falou o pesquisador. A cratera de São Miguel do Tapuio também pode ajudar cientistas a entender melhor a história da Terra, de outros planetas do sistema solar e até os efeitos que futuros impactos podem causar no planeta. “Hoje nós temos poucas páginas de um grande livro. Então precisamos estudar essas poucas crateras preservadas para tentar entender toda a história da Terra”, explicou. De acordo com o professor, o estudo dessas estruturas também ajuda cientistas a interpretar a formação de outros corpos do sistema solar, como Marte, Lua, Vênus e até grandes asteroides. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

FONTE: https://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2026/05/24/cidade-cratera-meteoro-america-do-sul.ghtml


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